segunda-feira de sol e muito calor no rio de janeiro. uma maravilha para os que não trabalham e podem ir à praia, um tormento pra quem pega ônibus lotado. a cidade arde, queima, e apresenta um trânsito de deixar qualquer são paulo pra trás.
eu, num ônibus que liga a zona norte (quente por natureza) ao centro (idem).
passando pelo túnel que conecta o catumbi à praça da cruz vermelha, avisto um sujeito sem camisa, com uma calça que não sei bem se jeans e uma sacola do supermercado mundial na mão.
num misto de medo e curiosidade, olhava intrigada o que o rapaz, parado próximo a uma goteira, fazia com a sacola - que agora estava apoiada sobre um muro (ou qualquer coisa que o valha).
tirou dois objetos da bolsa plástica.
cada vez mais intrigada, segui olhando.
dois jatos de água caiam do teto e, finalmente, identifiquei o que o rapaz sacara: uma escova e uma pasta de dentes. na maior naturalidade, como quem está no banheiro de casa, pôs a pasta na escova e começou a limpar os dentes. de repente, se meteu sob a água e banhou-se.
não sei ao certo o que senti.
surpresa, sem dúvida.
inveja, pelo frescor que aquela água - ainda que suja, proporcionava naquele momento em que minhas pernas e costas marcavam o banco de suor.
compaixão pelo apelo do sujeito, que fez daquela água suja sua ferramenta de higiene pessoal.
interesse e algum sentimento que a palavra se esconde, pela criatividade em - como diz o ditado popular - fazer do limão, a limonada.
26/03/2012
28/02/2012
reflex - indecis - ões
aqui o tempo é outro, o ar é outro, a vida é outra.
aqui, dias de céu azul tem nuvens cinzas.
aqui, o ar transparente é poluente.
o tempo é corrido, por aqui.
é outro.
aqui é tempo, tempo, tempo, tempo, não serei nem terás sido.
e é porque simplesmente não há tempo de ser.
não. quase mentira.
pra ser, basta ser. não precisa de um lugar específico. se é todo o tempo.
mas digo ser o que se aprecia - mais: o que necessita! -, ser.
a vida é corrida.
a vida que faz desacostumar com o tempo desacelerado das manhãs de céu azul e ar puro.
ela lá faz com que os dias passem lentos enquanto se caminha.
e a dúvida traduzida por vinícius, o poeta, permanece intacta...
aqui, dias de céu azul tem nuvens cinzas.
aqui, o ar transparente é poluente.
o tempo é corrido, por aqui.
é outro.
aqui é tempo, tempo, tempo, tempo, não serei nem terás sido.
e é porque simplesmente não há tempo de ser.
não. quase mentira.
pra ser, basta ser. não precisa de um lugar específico. se é todo o tempo.
mas digo ser o que se aprecia - mais: o que necessita! -, ser.
a vida é corrida.
a vida que faz desacostumar com o tempo desacelerado das manhãs de céu azul e ar puro.
ela lá faz com que os dias passem lentos enquanto se caminha.
e a dúvida traduzida por vinícius, o poeta, permanece intacta...
"Que a vida é esta incerteza que em mim mora
A vontade tremenda de ir-me embora
E a tremenda vontade de ficar."
13/02/2012
incertas certezas.
jogar-me ao vento, mergulhar no mar, nas águas doces do rio, do meu rio. de onde quero sair, com as incertezas e vontades inúmeras, transbordantes.
vontades.
minhas.
correndo atrás das certezas. melhor: da grande certeza de ser quem sou.
embora haja quem ache graça justamente no não se saber quem é, cansei dessa brincadeira.
quero poder dizer, com a certeza, que sou isso.
e ponto.
e é difícil quando se relativiza tudo.
ai, ciencias sociais, por que?
devo seguir pras exatas. certas. destras. daquelas.
não sei quem sou, mas sei que quero.
simples querer. simples viver. simples ser.
nada daquilo que enche os olhos, mas tudo daquilo que enche a alma.
enche e acalma essas inconstâncias paradoxais. enche e eleva.
quero paz, descobri.
e se um dia eu conseguir?
vontades.
minhas.
correndo atrás das certezas. melhor: da grande certeza de ser quem sou.
embora haja quem ache graça justamente no não se saber quem é, cansei dessa brincadeira.
quero poder dizer, com a certeza, que sou isso.
e ponto.
e é difícil quando se relativiza tudo.
ai, ciencias sociais, por que?
devo seguir pras exatas. certas. destras. daquelas.
não sei quem sou, mas sei que quero.
simples querer. simples viver. simples ser.
nada daquilo que enche os olhos, mas tudo daquilo que enche a alma.
enche e acalma essas inconstâncias paradoxais. enche e eleva.
quero paz, descobri.
e se um dia eu conseguir?
02/02/2012
algumas escritas em rascunhos. inacabadas, como sempre.
em busca de algo que a preencha por inteiro.
uma metade cheia, uma metade vazia. uma metade tristeza, uma metade alegria.
isso. literalmente.
assim como os textos, livros inacabados, leituras inacabadas... tudo meio assim, sem fim.
dar fim... seria este o problema?
não sabia!
aliás "não sei" era sua frase preferida nos últimos tempos.
preferida? não sei... talvez mais proferida e menos preferida.
tantas coisas tão interessantes acontecendo no mundo e ela lá, trancada em seu mundinho.
olhando assustada, sem se jogar às possibilidades de erros e acertos.
mas quem sabe não estivesse se jogando sem perceber?
é! dessas coisas que acontecem e só depois a gente se dá conta.
esperança de ser.
continua sendo.
eterna e interna, a busca.
trabalhando arduamente. ela chega lá.
em busca de algo que a preencha por inteiro.
uma metade cheia, uma metade vazia. uma metade tristeza, uma metade alegria.
isso. literalmente.
assim como os textos, livros inacabados, leituras inacabadas... tudo meio assim, sem fim.
dar fim... seria este o problema?
não sabia!
aliás "não sei" era sua frase preferida nos últimos tempos.
preferida? não sei... talvez mais proferida e menos preferida.
tantas coisas tão interessantes acontecendo no mundo e ela lá, trancada em seu mundinho.
olhando assustada, sem se jogar às possibilidades de erros e acertos.
mas quem sabe não estivesse se jogando sem perceber?
é! dessas coisas que acontecem e só depois a gente se dá conta.
esperança de ser.
continua sendo.
eterna e interna, a busca.
trabalhando arduamente. ela chega lá.
16/01/2012
29/11/2011
reflexões sobre... um dois mil e onze, uma monografia, uma conclusão.
a amiga voltou, outra se foi. nada que mude muito a rotina dos dias cheios nos onze meses que (quase) se foram. a monografia me espreme até que chegue o segundo dia do último mês, na esperança de uma pequena prorrogação do prazo. não que o tempo tivesse sido curto. só a administradora é que não soube utilizá-lo tão bem. ou soube... (?) é, acho que soube. mas agora os ombros estão tensos. amanhã trinta, depois primeiro, depois dois. pluft, chegou. e agora? ainda não tinha notado o quão próximo está. o miolo quase pronto, mas e o início? ok, começar é sempre fácil. mas e o fim? o fim é o parto. parir deve doer. então o fim é evitado. agora não dá mais. é fim e ponto.
20/11/2011
a beleza dos pedalinhos
(há alguns anos, no início desses tecnológicos anos 2000, quando ainda frequentava shows de rock independente e trabalhava na lojinha de fotografia ao lado da casa que não é mais minha, coloquei na assinatura do e-mail a frase "a beleza está nos olhos de quem vê".
tirei um tempo depois, sei lá porquê - sei lá também se esse "porquê" continua sendo dessa forma com a nova regra ortogáfica.
há menos de uma semana, em conversa com amigo - de vida e guia de carnaval e proclamação da república - e sua companheira, ouvi a frase que me remeteu àquela clara.
tirei da assinatura mas continuo concordando.
hoje, escutando ludov - que não ouvia desde a época em que usava a frase na assinatura do e-mail, fui visitar o album de uma amiga das letras, cujo olhar é um dos mais poéticos que conheço. a bárbara, super companheira de showzinhos underground e mais uma amiga querida da vida, na vida.
me deparei com uma imagem de pedalinhos abandonados, esquecidos. e que poderiam ser feios, pelas marcas do tempo.
linda foto.
olhar delicado e perspicaz. olhar sensível. vejam só: http://www.flickr.com/photos/barbaraporto/5484365344/in/photostream .
babi registrou, dando mais vida ao sentido que a frase sempre teve pra mim.
cores, cores, cores. é essa beleza que meus olhos buscam. cores, ainda quem em paisagens em preto e branco.)
tirei um tempo depois, sei lá porquê - sei lá também se esse "porquê" continua sendo dessa forma com a nova regra ortogáfica.
há menos de uma semana, em conversa com amigo - de vida e guia de carnaval e proclamação da república - e sua companheira, ouvi a frase que me remeteu àquela clara.
tirei da assinatura mas continuo concordando.
hoje, escutando ludov - que não ouvia desde a época em que usava a frase na assinatura do e-mail, fui visitar o album de uma amiga das letras, cujo olhar é um dos mais poéticos que conheço. a bárbara, super companheira de showzinhos underground e mais uma amiga querida da vida, na vida.
me deparei com uma imagem de pedalinhos abandonados, esquecidos. e que poderiam ser feios, pelas marcas do tempo.
linda foto.
olhar delicado e perspicaz. olhar sensível. vejam só: http://www.flickr.com/photos/barbaraporto/5484365344/in/photostream .
babi registrou, dando mais vida ao sentido que a frase sempre teve pra mim.
cores, cores, cores. é essa beleza que meus olhos buscam. cores, ainda quem em paisagens em preto e branco.)
15/11/2011
nem era sobre isso que eu queria falar, mas eu viajo e os pensamentos acabam levando para outros caminhos. caminhos bastante diferentes do que planejei, mas queridos. caminhar, viver! ser, estar!
queridos porque os quero. e como!
a felicidade de estar viva e ser isso me basta.
não, não me basta respirar.
sim, me basta saber que a cada nova inspiração tenho a chance de ser.
ser o que sou e tenho sido, sempre na busca do melhor, embora ainda haja muito a ser aprendido.
ser essa eterna aprendiz, quem sabe.
ser essa pessoa que aprendeu a amar (e preservar) a terra, o mato, as árvores. mesmo que não seja grande conhecedora, sem lembrar das aulas de biologia nunca aproveitadas.
ser essa pessoa que continua amando o mar.
que não deixa de amar o que sempre foi em detrimento do que passou a ser.
amar.
ser essa pessoa que ama.
queridos porque os quero. e como!
a felicidade de estar viva e ser isso me basta.
não, não me basta respirar.
sim, me basta saber que a cada nova inspiração tenho a chance de ser.
ser o que sou e tenho sido, sempre na busca do melhor, embora ainda haja muito a ser aprendido.
ser essa eterna aprendiz, quem sabe.
ser essa pessoa que aprendeu a amar (e preservar) a terra, o mato, as árvores. mesmo que não seja grande conhecedora, sem lembrar das aulas de biologia nunca aproveitadas.
ser essa pessoa que continua amando o mar.
que não deixa de amar o que sempre foi em detrimento do que passou a ser.
amar.
ser essa pessoa que ama.
04/11/2011
o horóscopo me diz coisas pertinentes mas a vida caminha sem me dar tempo de lembrar. e eu não lembro mesmo, quase nunca.
hoje faz um ano que vivi a dor de amigas queridas e, em um ano, quanta coisa mudou. ando querendo digerir a vida, esquecendo (novamente o esquecimento) aquele mandamento de que viver ultrapassa qualquer entendimento.
e estar é o que me vale, junto ao ser.
estar sob o sol, estar com você, estar aqui, digitando, pensando, sentindo. não necessariamente nesta ordem.
estar sendo.
hoje faz um ano que vivi a dor de amigas queridas e, em um ano, quanta coisa mudou. ando querendo digerir a vida, esquecendo (novamente o esquecimento) aquele mandamento de que viver ultrapassa qualquer entendimento.
e estar é o que me vale, junto ao ser.
estar sob o sol, estar com você, estar aqui, digitando, pensando, sentindo. não necessariamente nesta ordem.
estar sendo.
27/10/2011
22/08/2011
"tem dias que a gente se sente,como quem partiu ou morreu".
nasceu mais um dia, mas nesse dia nasceu com a sensação da música que roda, nas voltas do coração.
quanta objetividade que não tem, quanta saudade que não larga,
quanta saudade que, ao contrário da música, não é carregada pra lá.
as voltas que fazem se perguntar o tempo inteiro se é isso mesmo.
as flores ajudam a levar tudo isso - que pode ser um equívoco, adiante.
o tempo roda e o descanso não se completa, difícil renovação.
e as sensações constantes, intensas, presentes.
a roda viva gira.
e eu continuo tonta.
quanta objetividade que não tem, quanta saudade que não larga,
quanta saudade que, ao contrário da música, não é carregada pra lá.
as voltas que fazem se perguntar o tempo inteiro se é isso mesmo.
as flores ajudam a levar tudo isso - que pode ser um equívoco, adiante.
o tempo roda e o descanso não se completa, difícil renovação.
e as sensações constantes, intensas, presentes.
a roda viva gira.
e eu continuo tonta.
26/07/2011
vida
na quarta queria não voltar. cansaço. na quinta preparou um chá, na sexta tomou um chopp, na terça pensou em viajar. felicidade. assim vai sendo. há momentos em que o melhor remédio é respirar e deixar passar.
18/07/2011
.vai passar.2.
aprendi a escrever nas entrelinhas, em códigos que, às vezes, passado um tempo, os olhos e mente não reconhecem,
a vida passa, as coisas passam.
vai passar.
a vida passa, as coisas passam.
vai passar.
.vai passar.1.
secura.
seca das palavras flutuantes, árida como o solo infértil.
cansaço provocador. provocador de insônia, provocador de mais cansaço, provocador de olheiras.
provocador de sonhos diários. e indesejáveis.
vai passar.
seca das palavras flutuantes, árida como o solo infértil.
cansaço provocador. provocador de insônia, provocador de mais cansaço, provocador de olheiras.
provocador de sonhos diários. e indesejáveis.
vai passar.
26/05/2011
um falso jardim pra certezas arraigadas. o medo e a insegurança escondidos num fundo de alma densa, repleta de dúvidas e desejos. talvez seja o fim do ciclo, dos ciclos vários e a incerteza maquiada pelos discursos firmes e aparente segurança. sim, é o fim do ciclo tão esperado. a voz quase não sai por imaginar o poder que ela tem diante do que se deseja. e como lidar com o ter o que se deseja?
toda ânsia por aquilo que tanto se quer, diante da possibilidade de se tornar real sai com palavras sem tom, sem cor, sem som. e o receptor, não consegue acreditar que os olhos expressivos se tornam palavras trêmulas, sem coragem de ser. as expressões demonstram a fraqueza escondida em gestos trêmulos e rápidos, como se fosse necessário se livrar daquele instante tão próximo, um quase chegar.
não sei ao certo aonde esses dedos guiados por um sentir profundo estão nos levando.
sei que, de alguma maneira, as palavras precisam ser ditas. sem medo, sem bochechas vermelhas, com voz. e se rolarem as lágrimas, que lavem e limpem.
e que tornem o jardim real, com certezas provisórias.
provisórias como a vida.
toda ânsia por aquilo que tanto se quer, diante da possibilidade de se tornar real sai com palavras sem tom, sem cor, sem som. e o receptor, não consegue acreditar que os olhos expressivos se tornam palavras trêmulas, sem coragem de ser. as expressões demonstram a fraqueza escondida em gestos trêmulos e rápidos, como se fosse necessário se livrar daquele instante tão próximo, um quase chegar.
não sei ao certo aonde esses dedos guiados por um sentir profundo estão nos levando.
sei que, de alguma maneira, as palavras precisam ser ditas. sem medo, sem bochechas vermelhas, com voz. e se rolarem as lágrimas, que lavem e limpem.
e que tornem o jardim real, com certezas provisórias.
provisórias como a vida.
03/05/2011
Permita-se
Jogando cartas em dupla com meu irmão em um sistema online, me deparei com algo que, naquele momento, me confundiu. Estávamos no mesmo quarto, eu em um desktop e ele em um notebook. Às vezes olhava o jogo dele para ver as jogadas que poderíamos fazer, mas não entendia muito bem que no computador dele, a posição que ele ocupava era a mesma que eu ocupava no meu, então, imaginava suas cartas como minhas e me esforçava para lembrar de jogos que eu não tinha planejado. Em vão, claro. O jogo era dele.
Muitas questões me surgiram a partir desta simples situação. A mais gritante, não fugindo ao que imagino que você esteja imaginando, é a em torno do olhar sob um ângulo diferente. Quão incrível se torna ver o mesmo jogo sob um ângulo completamente distinto! Mas é um exercício difícil, pois é preciso estar desconectado de si(?), do seu centro como centro universal.
Não sei se a última frase exprimiu exatamente o que eu quis dizer, inclusive porque a lendo descolada do contexto, soa bastante controversa com meus pensamentos e convicções(?) dos últimos anos. Mas o que somos se não seres em mutação e, por isso, contraditórios? É uma relação meio esquizofrênica, na verdade: ao mesmo tempo em que você deve ter consciência de si e, normalmente, precisa estar centrada no seu eixo, não pode deixar de praticar o olhar de forma diferente. Diferente da maneira como se olha frequentemente, diferente do que acredita ser o único meio de se ver, por ser seu.
Escrevendo me obrigo a refletir e percebo que aqui, no espaço em branco em que as idéias se tornam palavras, frases, parágrafos, não é tão esquizofrênico quanto parecia ser inicialmente. Talvez essa realação siga a mesma lógica do ser feliz, mas estar triste. O que quero dizer é que, talvez, existindo um centro, ou melhor, existindo a consiência do que se é, se pode experimentar ser outros em determinados momentos. É como andar no Centro da cidade tendo alguns bons pontos de referência: você anda, anda, experimenta o pavor de estar perdida, mas quando menos espera, encontra um porto seguro, o ponto de referência.
O difícil, no entanto, ainda é conseguirmos nos dar a chance de experimentar o olhar diferente, ainda que num mundo em que seja permitido experimentamos ser todas, muitas, diversas.
Muitas questões me surgiram a partir desta simples situação. A mais gritante, não fugindo ao que imagino que você esteja imaginando, é a em torno do olhar sob um ângulo diferente. Quão incrível se torna ver o mesmo jogo sob um ângulo completamente distinto! Mas é um exercício difícil, pois é preciso estar desconectado de si(?), do seu centro como centro universal.
Não sei se a última frase exprimiu exatamente o que eu quis dizer, inclusive porque a lendo descolada do contexto, soa bastante controversa com meus pensamentos e convicções(?) dos últimos anos. Mas o que somos se não seres em mutação e, por isso, contraditórios? É uma relação meio esquizofrênica, na verdade: ao mesmo tempo em que você deve ter consciência de si e, normalmente, precisa estar centrada no seu eixo, não pode deixar de praticar o olhar de forma diferente. Diferente da maneira como se olha frequentemente, diferente do que acredita ser o único meio de se ver, por ser seu.
Escrevendo me obrigo a refletir e percebo que aqui, no espaço em branco em que as idéias se tornam palavras, frases, parágrafos, não é tão esquizofrênico quanto parecia ser inicialmente. Talvez essa realação siga a mesma lógica do ser feliz, mas estar triste. O que quero dizer é que, talvez, existindo um centro, ou melhor, existindo a consiência do que se é, se pode experimentar ser outros em determinados momentos. É como andar no Centro da cidade tendo alguns bons pontos de referência: você anda, anda, experimenta o pavor de estar perdida, mas quando menos espera, encontra um porto seguro, o ponto de referência.
O difícil, no entanto, ainda é conseguirmos nos dar a chance de experimentar o olhar diferente, ainda que num mundo em que seja permitido experimentamos ser todas, muitas, diversas.
24/04/2011
entre o céu e o firmamento, vagam pelo tempo
A consciência de ser pensante chegou cedo, mas isso não significa que, a partir dela, os pensamentos se descomplicaram. Não, não mesmo.
Continuaram sendo pensamentos, daqueles que insistem em percorrer caminhos. Desconhecidos ou não, caminhos.
Eram pensamentos que a isolovam da compreensão alheia.
Embora pensasse que às vezes sem sentido, eram muito sentidos. Sabe essa coisa do passional? É isso, pensamentos movidos pela paixão. Talvez, por isso, não tão fáceis.
Continuaram sendo pensamentos, daqueles que insistem em percorrer caminhos. Desconhecidos ou não, caminhos.
Eram pensamentos que a isolovam da compreensão alheia.
Embora pensasse que às vezes sem sentido, eram muito sentidos. Sabe essa coisa do passional? É isso, pensamentos movidos pela paixão. Talvez, por isso, não tão fáceis.
01/04/2011
reflexões sobre pontuação num primeiro de abril
pontos serviam para marcar o que queria dizer, com a intensidade que queria passar.
o final, marcaria o fim do que foi ou poderia ter sido. o fim de uma vida vívidamente inventada.
mas a tal menina rosa insistia nas exclamações, nas duas exclamações. porque um é pouco, dois é bom, três é demais. não era o que diziam muitos?
ouvia o que diziam mas não ouviam o que era dito, talvez pelo excesso de pausas. já falei que ela amava as pausas? ainda que tornasse tudo muito mais demorado, a pausa representava, pra ela, os momentos de silêncio, de vazio, do olhar sentindo. sabe como é? sentir... ah, como gostava!
não sabia se sabia viver, mas sabia que viver era um texto não linear repleto de exclamações, pausas e pontos finais. todos sentidos.
e os travessões, sempre difíceis, ficavam com as interrogações que inferências poderiam reticenciar.
16/03/2011
existirmos. a que será que se destina?
caetano tem me lembrado sempre de pensar esta pergunta que muitas vezes cisma em se esconder num finzinho de unha do pé, bem longe da massa pensante. ou talvez seja eu quem esteja querendo lembrar sempre. e talvez caetano seja apenas uma via. talvez ela esteja longe pela linearidade ocupar o espaço do movimento circular. pode ser que a verdade, relativa verdade, seja que enquanto a razão me guia por um lado a emoção me aponta outros caminhos. não sei, não sei. qual poderia ser a palavra que me define neste agora? não sei. mas sei que me sinto como aqui , mais uma vez. pode ser que sejam ciclos - favor não confundir com círculos. ou melhor, confunda com o que desejar confundir. - ciclos, cujas ações, momentos, reflexões, ..., me levem ao abandono da linearidade, indo de encontro à questão escondida no dedinho do pé.
não sei, mas desejo:
ser feliz em cada escolha, em cada dia, em cada momento, ainda que tristes. independente do que isso possa significar!
vida!, vida!, vida!.
a natureza.
a simplicidade.
os amigos de verdade.
paz.
amor.
romance.
músicas.
artes.
vida!
não sei, mas desejo:
ser feliz em cada escolha, em cada dia, em cada momento, ainda que tristes. independente do que isso possa significar!
vida!, vida!, vida!.
a natureza.
a simplicidade.
os amigos de verdade.
paz.
amor.
romance.
músicas.
artes.
vida!
02/03/2011
a espera, em 02 de março de 2011
é como correr rápido na ânsia de chegar agora, ontem, logo.
e quanto mais se corre, menos perto se está.
essa ansiedade, faminta pelo agora, pela vontade, por tudo isso que consome até que se perca o sono.
suga as forças.
e aqui se brinca de pique-esconde com a tal esperança.
a verde esperança.
dizem que é a última que morre, mas insiste em se esconder nos lugares menos prováveis, enquanto as olheiras tornam-se cada dia mais visíveis.
e risíveis.
a sensação é do olhar de cima, enlouquecido de vontade do merecido mergulho nas águas que seguem correndo ligeiras e frias.
vontade quase impossível de vir a ser fato quando se depende do outro, principalmente quando a prioridade deste outro está longe de ser a sua.
o que resta é esperar,
e continuar buscando a esperança escondida.
e quanto mais se corre, menos perto se está.
essa ansiedade, faminta pelo agora, pela vontade, por tudo isso que consome até que se perca o sono.
suga as forças.
e aqui se brinca de pique-esconde com a tal esperança.
a verde esperança.
dizem que é a última que morre, mas insiste em se esconder nos lugares menos prováveis, enquanto as olheiras tornam-se cada dia mais visíveis.
e risíveis.
a sensação é do olhar de cima, enlouquecido de vontade do merecido mergulho nas águas que seguem correndo ligeiras e frias.
vontade quase impossível de vir a ser fato quando se depende do outro, principalmente quando a prioridade deste outro está longe de ser a sua.
o que resta é esperar,
e continuar buscando a esperança escondida.
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