26/04/2015

reflexos sentidos

sinto muito por muito sentir.
sinto a dor alheia,
sinto a alegria compartilhada,
sinto, sinto, sinto.
beira a inocência, beira a infantilidade.
aprendendo a lidar com tudo isso.
aprendendo a fechar os olhos, olhar pra dentro.
abrindo o coração para tudo que há de novo.
amor não falta.

18/04/2015

saí florida,
ainda tremula com os primeiros ares da manhã.
saí disposta,
ainda sonolenta.
saí desarmada,
ainda estou.

31/03/2015

aleatoriedades sobre o gostar

consegui o que queria, a vida floriu.
manhã de amiga precisando de afago, manhã de descanso.
manhã de memórias de dentro.
ler, ver, rever o que fui,
me ajuda a relembrar quem sou.
o que serei, não sei.
a gente nunca sabe, por mais que planeje.
gosto da vida, isso é sabido.
gosto das folhas que caem.
gosto das folhas que nascem.
gosto de ajudar quem está em pé no ônibus, de ceder o lugar.
gosto de encontrar pessoas queridas.
gosto de não gostar mais.
e de aprender a gostar.
gosto da vida.

23/03/2015

reflexões num início de outono

os dias passam, tudo passa.
é bom saber que o que afetava já não afeta.
talvez seja a maturidade.
ou talvez seja o fim do retorno de saturno.
(ufa!)
não precisar ter explicações de fora para estar bem dentro.
não digo que as perguntas não venham.
mas entender que elas não precisam ser respondidas dá uma leveza sem tamanho.
na verdade, acho que pode ser também a maturidade ou o fim do retorno do planeta de anéis.
no fundo, no fundo mesmo, sinto que a leveza vem por novamente ser dona da história.
ser dona da minha história.

26/01/2015

reflexões pré trinta

o tempo passa, o corpo cresce: nariz, orelhas, barriga, tudo.
e ficam mais moles, sem a força das primeiras décadas.
os dentes entortam.
os ossos encolhem, refletindo os anos vividos.
as  olheiras expressam as responsabilidades e preocupações.
os fios de cabelos brancos, idem.
e as escolhas passam a ser mais bem feitas.
o saber o que se quer ecoa pelos gritos de dentro.
o saber quem se é vem com força, sem espaço para o que não se é.
a aceitação - e  aqui merece eco de novo: aceitação, ão, ão, ão, ããããããão!!! - ganha nova proporção.
e o sorriso fica mais pleno.
pleno de toda a alegria da vida, ao pensar numa manhã de janeiro: uau, como é bom respirar!
os olhos expressam verdade, o que vem de dentro.
os altos e baixos já não são tão altos ou tão baixos.
a busca pelo equilíbrio continua a caminhar lado a lado, agora mais junto.
o fora deixa de ganhar toda a importância, embora ainda tenha lá seus momentos.
o dentro é que diz, guia, ilumina a estrada.
nada fica mais fácil, mas o peso do difícil já não tem um corpo tão forte que o apoie.
então se larga o que não vale com certa facilidade.
encara os poréns e segue.
porque nada supera o estar aqui, agora.
nada supera a bagagem dos aprendizados e o desejo de mais.
nada supera a felicidade dos bons dias e dos encontros.
seguimos.



21/01/2015

memórias urbanas

dois velhinhos.
cabeças brancas.
o trem cheio, era meio da tarde.
um luxo para os que compartilhavam da experiência.
em devaneios, só me dei conta de que o velhinho estava a minha frente, minutos (ou segundos? não horas.) depois.
oferta de lugar. recusa. iriam saltar três estações à frente.
a velhinha apareceu depois.
sentada a duas divisões de mim.
parecia mais nova que ele, e ele mais inteiro que ela.
a aliança dele, fina e discreta.
chegou a estação final para eles: carioca.
mas antes disso, ele a pegou pela mão, como apoio à subida do assento.
ela aceitou e num impulso, se levantou.
a aliança dela, fina e discreta.
vestido florido, mas no p&b.
um arquinho segurava os fios de cabelos brancos e quase lisos.
meias compressoras na pernas e sapatinhos impecáveis.
brincaram: ele mecheu no queixo dela, lindamente.
a estação chegou. ele a pegou pela mão, e seguiram juntos rumo aos lugares mil onde imaginei que fossem.
bonito de se ver.

24/12/2014

agradecida, 2014.

foram muitos presentes.
presentes sinceros que a vida trouxe nesse dois mil e quatorze.
presentes para um passado de boas lembranças,
presentes a serem eterna e ternamente agradecidos.
presentes que vislumbram felizes dias no futuro.
presentes que estão no momento presente.

foram muitos presentes.

nas mais singelas ações e situações.
no retorno de pessoas lindas com quem tive o prazer de cruzar os caminhos.
no voltar a ser criança e brincar de pique na casa grande cearense.
no cd ganho de um  anjo taxista em uma rápida passagem por fortaleza,
na lata da barbie recebida com bilhetinhos lindos de minha irmãzinha também lá de cima,
no conserto como "presente de natal" da sandália que teve sua sola arrancada pelas ruas desestruturadas da cidade maravilhosa e por esses pés tropeçantes,
nas folhas rodopiantes que saltam aos olhos sempre que passo por uma árvore,
das cores da primavera que alegram o coração,
na fava recolhida da roça do genro de Patativa e dos inúmeros cafezinhos, regados de afeto e boa prosa vindas do cariri,
dos resultados de provas que fiz - com medo admito - e de reencontrar a capacidade, a qual os olhos insistiam em se recusar a ver,
da casa dividida, por mais um ano, com a melhor amiga que eu poderia ter pra isso,
da música, da dança, das artes, da coragem.
das flores que tornaram a abrir, do lírio que renasceu pela primeira vez desde que aqui chegou, da árvore da felicidade que, tão frondosa está, chega ao ponto de me gritar por um espaço maior.

não vou mentir que também tenha tido seus amargores. e como ignora-los, se são eles, muitas vezes, que nos fazem crescer e reaprender a olhar para a vida?
alguns reflexos continuam no processo de amadurecimento, devem acompanhar por um tempo.
a fé, a gratidão e o amor facilitam nesse caminho.
é com elas que eu vou sempre, num resgate e redescobrimento contínuo desse ser cujos dedos de unhas vermelhas registram em palavras o fluxo circulante por debaixo do que se é aparente.
o resultado é que os amargores também foram presentes nesse processo divino no qual nos encontramos.

ainda é natal, uma semana falta para seu último dia para o término do ciclo 2014.
contudo, já sou grata por todos os presentes recebidos de coração aberto.
venha 2015, venham os 30 anos de uma vida apreciada pelo viver. e que, me permitam todos os seres, animados ou inanimados, visíveis ou não, que assim seja pelos próximos por vires.
que eu me permita seguir da melhor forma.
e que as boas companhias e lindos momentos, registrados em cada marca de expressão e em cada fio de cabelo naturalmente descolorido, permaneçam.

agradecida pelo presente, universo.


17/11/2014

ufa

o desejo é de criar palavras que traduzam o sentir,
tão profundo, tão grande, tão cheio... tão, tão que transborda a ponto de, se fosse água, não faltaria em são paulo, em minas, em lugar algum.
mas as palavras estão secas.
quem sabe pelo fim do ano.
quem sabe pelas histórias recentes, escolhidas por mim.
a fé na vida não me deixa não acreditar que seja passageiro... mas, ufa, tá intenso demais.
talvez sejam as mortes, passagens para o outro plano, de pessoas próximas, pessoas que fizeram parte da minha vida e infância.
talvez sejam os amigos que seguem suas vidas e eu, que esteja sentindo a minha parada.
talvez seja a preocupação em arrumar logo um emprego.
talvez seja tudo isso, talvez seja só um dia.
amanhã vai ser melhor.

16/10/2014

sobre primavera, sobre verdade

os dias de primavera seguem com a luz do sol.
as flores se abrem nos canteiros e colorem as ruas.
os pássaros cantam, ainda antes do sol raiar, anunciando novo dia.
e sei que vale estar aqui, vivendo tamanha beleza.
bela pela simplicidade e verdade que traz em si.
verdade que nós, humanos, às vezes esquecemos de caminhar junto.
verdade, uma ilusão?vem do coração.

21/09/2014

sobre hoje, últimos momentos... sobre bolos.

é assim, o dia está chuvoso e o nó na garganta não desce, não dilui, não desfaz.
é assim, resolvi mudar tudo e... aí?

e aí?

é assim, andei pensando na vida e pensei em fazer um bolo.
nã-não, fiz uma analogia com o fazer o bolo (embora o bolo real esteja entalado na garganta).

foi assim:
há pouco mais de um ano investi meus melhores (?) ingredientes numa massa de bolo diferente. misturei, fiz. e enquanto isso, ri, chorei, mexi e remexi. volta e meia adicionava uma pitada disso, outra daquilo, às vezes achava que estava a massa mais saborosa do mundo. noutras, que estava uma merda.
o fato é que não deu liga, mas insistente me descobri e mantive mexendo, acrescentando tudo que sentia ser pertinente, nos momentos em que iam me surgindo.

é, não deu liga.

resolvi refazer, então.
com coragem para o desapego daquele bolo que estava fadado ao fracasso.
começando pela mudança de um ingrediente básico.
estudei, senti, estudei, senti, resolvi arriscar.
e agora, no momento do risco, porque arriscar é por-se em risco, me pergunto se outros ingredientes não seriam melhores.
apesar disso, percebo que não são só os ingredientes que fazem a delícia do bolo, mas a dedicação das mãos que mexem, do cuidado dos momentos em que cada coisa entra, do forno pré aquecido (quentinho, quentinho... aconchegante), do momento certo da conferência de seu crescimento.
arriscando novos e velhos ingredientes.
com cuidado a cada nova etapa.
com disposição, pero no mucho, as mãos andam cansadas.
e o coração continua a caminhar.

23/07/2014

cariri, tô voltando!

a gente volta.
e não se sabe se o que encontraremos será como as marcas da primeira vez em que estivemos, as marcas felizes, de alegria.
sempre volto.
e a cada vez que voltamos, uma nova oportunidade, um novo sentido - daqueles que são rumo, mas também daqueles que nos tocam, dos que sentimos.
nem sempre voltar é retroceder. voltar pode ser, e é, se permitir experimentar aquilo de novo. reavivar os melhores momentos em nossa memória física e mental.
voltar é se permitir.

21/05/2014

até breve, chapada do araripe.

uma chapada que não é a das cachoeiras de águas azuis.
uma chapada com a força do sertão, com a beleza do verde pós chuvas.
uma chapada que, convencida fui, já foi mar.
lugar com mais do que paisagens lindas, com pessoas.
das pessoas: histórias, olhares, vida.
saio com a beleza dos encontros, com a beleza da cultura, com a beleza da despretensão do  fazer a diferença.
e com isso, a diferença se faz genialmente.
um pedacinho de terra que nós, fruto da cidade grande, pouco ousamos imaginar.
uma chapada de crianças brincando e aprendendo.
e de crianças aprendendo brincando.
tudo tão tão que meu coração já fica apertado pela partida.
e não larga da ideia de voltar.
voltar logo, já.
coração aberto para aprender.
aprender a ser com a genialidade e simplicidade das vidas que por aqui encontrei.
eu vou.
e comigo carrego cada doce encontro, cada olhar e histórias deste lugar mágico e apaixonante.
portas abertas, coração aberto para os novos caminhos.
já já nos reencontramos.



27/01/2014

outras paisagens urbanas

quintino, bairro da zona norte carioca.
trem, meio de locomoção da metrópole.
sobretudo do subúrbio e zonas mais afastadas da (zona sul da) cidade que dizem maravilhosa.
estação de trem de quintino, sentido madureira.
local de passagem diária.
na parede, são jorge, o guerreiro ogum.
uma pintura e uma oração ao santo orixá.
ao lado, debaixo das escadas, uma casa imaginário-real.
uma senhora faz daquele espaço sua moradia.
todos os dias limpa, varre.
a casa: um fogão que, curiosa fico, está em funcionamento?
sofá e embrulhos.

varre, varre, varre.
varre sua tristeza para longe da casa.
varre seus fantasmas pra rua, que, tão próxima, se torna... o que?!
varre.
limpa e faz da fantasia a realidade.
com seu pano na cabeça ela faz da realidade, a fantasia.

05/01/2014

carta a um novo ano

Querido, como esperei sua chegada!

Não queria criar expectativas, mas elas existem alheias a nossa vontade, alheias a qualquer querer. 
O fato é que sua força e presença me tornam tão feliz e esperançosa! 

Veio num pós mergulhos repletos de gratidão e axé naqueles mares de transparência esverdeada e beleza. 
Não sei o que nos aguarda, só sei que estou tomada por uma, repito, esperança - quase infantil, admito. 

Seu antecessor não me deu trégua: casamento desfeito, mudança de emprego, de casa(s), pé quebrado, paixões desfeitas... 
E muita alegria e aprendizado também, sei reconhecer: muitos encontros de alma, e reencontros!, espiritualidade e fé afloraram (saravá!), poesias, viagens... novos ares, novos olhares, como pedi e senti. 

O que nos aguarda?
O tempo, dos deuses mais lindos, responderá. 

Aí vão uns pedidos: saúde (sempre, sempre!), amor, paciência e paz para encarar o porvir da melhor forma. Luz, muita, para continuar nutrindo esta fé que me alimenta a alma. Olhar de criança, atenta e encantada com cada mínimo detalhe da vida pulsante em cada cena. Coragem - que ela se mantenha aqui dentro, me impulsionando a seguir em frente. Porque a vida é linda, e estar aqui uma delícia. Mesmo com o calor desses seus primeiros dias, mesmo com os sonhos inusitados, mesmo com tanto apesar de. Viver é bom demais.

Venha, me tome, me alegre, me entristeça quando necessário, me acompanhe e guie. 
Estou aberta a você, meu querido. Alegria, alegria! Você chegou!

Me despeço deste início com um abraço bem apertado, um beijo bem caloroso e gratidão incondicional.

11/12/2013

o bebê chora, a fumaça consome.
a mãe acalma, com seu leite materno.
(que coisa incrível essa coisa de o próprio corpo gerar o único alimento dos primeiros meses de vida do pequeno, grande ser!)
a chuva parou, a vida voltou.
o ligação não veio,
o sono sim.
preciso dormir, amanhã termino isso aqui.

26/11/2013

encantamentos

toca ao fundo "a luminosidade, é a luz do nosso amor!"... e o nosso amor é tanto!
digo o nosso amor pela vida, por nós próprios... pelas oportunidades que existir aqui, nesta encarnação, com todos os seres, espaços e vidas que cruzam nossos caminhos e promovem um salto na evolução espiritual.
permita-me, minha vida, que toda oportunidade concedida seja devidamente aproveitada e que todo percurso seja fonte de crescimento e amor. que todo esse caminhar seja fonte de luz.
começo o dia com uma imagem que esses olhos e sentidos apreciaram por tamanha delicadeza e grandeza: uma grade de segurança, na área externa da casa em que moro atualmente, molhada pela chuva que não para de cair nesta semana de primavera. gotas prestes a se desgrudarem das prateadas grades reluziam soba luz deste cinza céu. brilhavam, brilhavam tanto que me remeteram às luzes do natal, que se aproxima. e pensei: para que comprar, cedendo à louca lógica do consumo, quando se tem a natureza promovendo tamanho espetáculo?
fitei-os por uns minutos, agradeci - impossível não fazê-lo! -, segui para mais uma semana de trabalho.
que seja bonita.

23/08/2013

as três estações

no outono mudei,
no inverno invernei.
agora quero o florescer da primavera.

(começa quando mesmo?)

12/08/2013

memórias de três semanas sem pé direito

:
correr com rodas pra não perder o pôr do sol com amigas, manter o pé esquerdo firme e forte, fazer listas de viagens, falar com quem se ama com mais frequência, rir e chorar intensamente e quase ao mesmo tempo, ser carregada, ser independente, pensar novos projetos, sentir uma saudaaade da equipe de trabalho querida, descobrir pessoas boas a cada raro aventurar-se na rua, cozinhar com amiga, engordar, estudar.
e ser paciente.
viver.
e ser paciente, aprendizado pra vida.

09/08/2013

volver

é tarde de primavera,
o sol brilha timidamente por entre nuvens claras:
fiz as pazes com a poesia.

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as ideias pululam embriagadas pelas lágrimas, embaladas por cia do tijolo, ispinho e fulô, patativa do assaré.