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27/07/2010

vinte e sete de julho - parte 2

, não não não,

na verdade é tanto espaço que me perco,
queria mesmo escrever sobre precisar dizer que a felicidade anda comigo, aqui, bem ao lado, mas não consigo escrever esse clichezão, não consigo chegar até lá porque roubam minha atenção por todas as arestas, com todas as cores e sons
me puxam para longe,
por onde seguia.
bola quicando, memories, bloco unico, musica pra balaçar, cão latindo, ela gritando, eu ouvindo,
é, é sempre tanto,
tudo é sempre muito, grande, intenso,,
tudo menos algo,
um gosto por escrever frases curtas,
pontuadas,

mas não, ainda não era sobre a felicidade andar de mãos dadas,
preciso mesmo escrever sobre as flores que ganhei no final de semana,
uns girassóis (são mesmo girassóis? esse plural está certo?),
brancos, são brancos,
estão murchando,
e os amo, os amei, os amarei.
quero escrever sobre as deliciosas manhãs de inverno e caminhadas na praia, sobre a minha técnica fabulosamente fabulosa, sobre os medos, as curas e as curvas, sobre a repetição.
a repetição que tanto repito.
as repetições que me mantém viva, viva e lembrante.
lembrar pra repetir, repetir para lembrar.

02/06/2010

reflexo das aulas literárias da damasceno

um tempo de instantaneidades, num você faz, no outro desfaz.
pronto, ninguém viu.
.
.
.
mas e as minhas questões?
e a conversa, olho no olho?
.
.
.
num tempo de instantaneidades, aparece o medo.
o medo de falar e não poder apagar.
o medo de não parecer a mesma pessoa que escreveu esse texto,
o medo das aparências.
da desconstrução da aparência que quer pra si.
.
.
.
as palavras que saltavam da boca se tornam calculadas, pensadas e repensadas,
pensadas antes, se não, depois.
medo.
um tempo de instantaneidades e o medo do outro.
o outro outro.
os seus outros.

25/05/2010

vinte e cinco de maio

abafam-me: os sons, a não-simplicidade...
ocultam meu som: os significados mirabolantes, o não obvio, as pretensiosas pretensões.
meu obvio parece mais poético do que qualquer poesia inventada, qualquer palavra falada, qualquer significado agregado.
meu obvio é minha poesia.
se é que isso pode ser chamado de poesia.
meu óbvio é o olhar, é o sentir.
expressar na palavra viva e morta.
morta por ser palavra.
morta por ser falada.