21/09/2014

sobre hoje, últimos momentos... sobre bolos.

é assim, o dia está chuvoso e o nó na garganta não desce, não dilui, não desfaz.
é assim, resolvi mudar tudo e... aí?

e aí?

é assim, andei pensando na vida e pensei em fazer um bolo.
nã-não, fiz uma analogia com o fazer o bolo (embora o bolo real esteja entalado na garganta).

foi assim:
há pouco mais de um ano investi meus melhores (?) ingredientes numa massa de bolo diferente. misturei, fiz. e enquanto isso, ri, chorei, mexi e remexi. volta e meia adicionava uma pitada disso, outra daquilo, às vezes achava que estava a massa mais saborosa do mundo. noutras, que estava uma merda.
o fato é que não deu liga, mas insistente me descobri e mantive mexendo, acrescentando tudo que sentia ser pertinente, nos momentos em que iam me surgindo.

é, não deu liga.

resolvi refazer, então.
com coragem para o desapego daquele bolo que estava fadado ao fracasso.
começando pela mudança de um ingrediente básico.
estudei, senti, estudei, senti, resolvi arriscar.
e agora, no momento do risco, porque arriscar é por-se em risco, me pergunto se outros ingredientes não seriam melhores.
apesar disso, percebo que não são só os ingredientes que fazem a delícia do bolo, mas a dedicação das mãos que mexem, do cuidado dos momentos em que cada coisa entra, do forno pré aquecido (quentinho, quentinho... aconchegante), do momento certo da conferência de seu crescimento.
arriscando novos e velhos ingredientes.
com cuidado a cada nova etapa.
com disposição, pero no mucho, as mãos andam cansadas.
e o coração continua a caminhar.

23/07/2014

cariri, tô voltando!

a gente volta.
e não se sabe se o que encontraremos será como as marcas da primeira vez em que estivemos, as marcas felizes, de alegria.
sempre volto.
e a cada vez que voltamos, uma nova oportunidade, um novo sentido - daqueles que são rumo, mas também daqueles que nos tocam, dos que sentimos.
nem sempre voltar é retroceder. voltar pode ser, e é, se permitir experimentar aquilo de novo. reavivar os melhores momentos em nossa memória física e mental.
voltar é se permitir.

21/05/2014

até breve, chapada do araripe.

uma chapada que não é a das cachoeiras de águas azuis.
uma chapada com a força do sertão, com a beleza do verde pós chuvas.
uma chapada que, convencida fui, já foi mar.
lugar com mais do que paisagens lindas, com pessoas.
das pessoas: histórias, olhares, vida.
saio com a beleza dos encontros, com a beleza da cultura, com a beleza da despretensão do  fazer a diferença.
e com isso, a diferença se faz genialmente.
um pedacinho de terra que nós, fruto da cidade grande, pouco ousamos imaginar.
uma chapada de crianças brincando e aprendendo.
e de crianças aprendendo brincando.
tudo tão tão que meu coração já fica apertado pela partida.
e não larga da ideia de voltar.
voltar logo, já.
coração aberto para aprender.
aprender a ser com a genialidade e simplicidade das vidas que por aqui encontrei.
eu vou.
e comigo carrego cada doce encontro, cada olhar e histórias deste lugar mágico e apaixonante.
portas abertas, coração aberto para os novos caminhos.
já já nos reencontramos.



27/01/2014

outras paisagens urbanas

quintino, bairro da zona norte carioca.
trem, meio de locomoção da metrópole.
sobretudo do subúrbio e zonas mais afastadas da (zona sul da) cidade que dizem maravilhosa.
estação de trem de quintino, sentido madureira.
local de passagem diária.
na parede, são jorge, o guerreiro ogum.
uma pintura e uma oração ao santo orixá.
ao lado, debaixo das escadas, uma casa imaginário-real.
uma senhora faz daquele espaço sua moradia.
todos os dias limpa, varre.
a casa: um fogão que, curiosa fico, está em funcionamento?
sofá e embrulhos.

varre, varre, varre.
varre sua tristeza para longe da casa.
varre seus fantasmas pra rua, que, tão próxima, se torna... o que?!
varre.
limpa e faz da fantasia a realidade.
com seu pano na cabeça ela faz da realidade, a fantasia.

05/01/2014

carta a um novo ano

Querido, como esperei sua chegada!

Não queria criar expectativas, mas elas existem alheias a nossa vontade, alheias a qualquer querer. 
O fato é que sua força e presença me tornam tão feliz e esperançosa! 

Veio num pós mergulhos repletos de gratidão e axé naqueles mares de transparência esverdeada e beleza. 
Não sei o que nos aguarda, só sei que estou tomada por uma, repito, esperança - quase infantil, admito. 

Seu antecessor não me deu trégua: casamento desfeito, mudança de emprego, de casa(s), pé quebrado, paixões desfeitas... 
E muita alegria e aprendizado também, sei reconhecer: muitos encontros de alma, e reencontros!, espiritualidade e fé afloraram (saravá!), poesias, viagens... novos ares, novos olhares, como pedi e senti. 

O que nos aguarda?
O tempo, dos deuses mais lindos, responderá. 

Aí vão uns pedidos: saúde (sempre, sempre!), amor, paciência e paz para encarar o porvir da melhor forma. Luz, muita, para continuar nutrindo esta fé que me alimenta a alma. Olhar de criança, atenta e encantada com cada mínimo detalhe da vida pulsante em cada cena. Coragem - que ela se mantenha aqui dentro, me impulsionando a seguir em frente. Porque a vida é linda, e estar aqui uma delícia. Mesmo com o calor desses seus primeiros dias, mesmo com os sonhos inusitados, mesmo com tanto apesar de. Viver é bom demais.

Venha, me tome, me alegre, me entristeça quando necessário, me acompanhe e guie. 
Estou aberta a você, meu querido. Alegria, alegria! Você chegou!

Me despeço deste início com um abraço bem apertado, um beijo bem caloroso e gratidão incondicional.

11/12/2013

o bebê chora, a fumaça consome.
a mãe acalma, com seu leite materno.
(que coisa incrível essa coisa de o próprio corpo gerar o único alimento dos primeiros meses de vida do pequeno, grande ser!)
a chuva parou, a vida voltou.
o ligação não veio,
o sono sim.
preciso dormir, amanhã termino isso aqui.

26/11/2013

encantamentos

toca ao fundo "a luminosidade, é a luz do nosso amor!"... e o nosso amor é tanto!
digo o nosso amor pela vida, por nós próprios... pelas oportunidades que existir aqui, nesta encarnação, com todos os seres, espaços e vidas que cruzam nossos caminhos e promovem um salto na evolução espiritual.
permita-me, minha vida, que toda oportunidade concedida seja devidamente aproveitada e que todo percurso seja fonte de crescimento e amor. que todo esse caminhar seja fonte de luz.
começo o dia com uma imagem que esses olhos e sentidos apreciaram por tamanha delicadeza e grandeza: uma grade de segurança, na área externa da casa em que moro atualmente, molhada pela chuva que não para de cair nesta semana de primavera. gotas prestes a se desgrudarem das prateadas grades reluziam soba luz deste cinza céu. brilhavam, brilhavam tanto que me remeteram às luzes do natal, que se aproxima. e pensei: para que comprar, cedendo à louca lógica do consumo, quando se tem a natureza promovendo tamanho espetáculo?
fitei-os por uns minutos, agradeci - impossível não fazê-lo! -, segui para mais uma semana de trabalho.
que seja bonita.

23/08/2013

as três estações

no outono mudei,
no inverno invernei.
agora quero o florescer da primavera.

(começa quando mesmo?)

12/08/2013

memórias de três semanas sem pé direito

:
correr com rodas pra não perder o pôr do sol com amigas, manter o pé esquerdo firme e forte, fazer listas de viagens, falar com quem se ama com mais frequência, rir e chorar intensamente e quase ao mesmo tempo, ser carregada, ser independente, pensar novos projetos, sentir uma saudaaade da equipe de trabalho querida, descobrir pessoas boas a cada raro aventurar-se na rua, cozinhar com amiga, engordar, estudar.
e ser paciente.
viver.
e ser paciente, aprendizado pra vida.

09/08/2013

volver

é tarde de primavera,
o sol brilha timidamente por entre nuvens claras:
fiz as pazes com a poesia.

---

as ideias pululam embriagadas pelas lágrimas, embaladas por cia do tijolo, ispinho e fulô, patativa do assaré.

02/08/2013

o grito

vamos rasgar a poesia,
gritar ao mundo,
ao horizonte,
à todos:
NÃO PRECISAMOS DELA!

tchau aos bigodudos,
bye às classudas.

adeus você!

o grito silencioso,
livramento da loucura?
palavra emudecida,
siga seu caminho, vá pra longe.
ou
livrai-me do ensurdecimento.

adeus e foda-se.

21/07/2013

ai, meu péi!

samba, risos, choro.
intensidade.
montanha russa.
uôôôu!
chico, circo, domingo.
cama, pé pro alto.
laranja.
a cor, a fruta, a não-unha.
a tarde, a brisa, o inverno.
o om que quer sair,
o sem querer.
as vontades, desejos,
o cansaço.
o computador.
o calor.
o vermelho.
o sangue.
AMOR.
a vida.
os cachos.
o cerrado.
a viagem?
a fruta roxa,
o brinco de viúva.
as lembranças.
os desejos.
a repetição.
o barulho das teclas. negras.
e o dos carros. coloridos de cinza.
e o dos bares.
e todos os meus.
barulhos de mar de dentro.

e tudo isso pra dizer que pequenas distâncias se tornam quilômetros diante de um pé quebrado.

08/07/2013

registro necessário

"vou te contar uma história. lá na rua onde eu morava, tinha uma vizinha que colecionava pedras e amarrava com palha, com linha, fazia colares...
e ela, quando olhava, sentia.
olhava sentindo.
assim, que nem tu.
e essa moça passava paz pra todo mundo que cruzava o caminho dela.
assim, que nem tu.
.
.
.
e essa moça era tu."

mente calada, coração falante.

merece o registro

- vó, parabéns!!!
- obrigada, minha clarinha! senti sua falta hoje...
- pois é, eu estava trabalhando. vó, quanto anos você faz mesmo?
e ela, prontamente:
- 76!
- diminuiu dois, hein, dona marinette!
(gargalhadas de ambos os lados)
e a resposta de minha senhorinha:
- tem que ser. se eu falar a real, tomo até um susto!

05/07/2013

ecodela

vamos morrer,
é isso.
um dia esses olhos hão de deixar o corpo físico,
hão de ver as coisas de outra forma e,
quem sabe,
entender essa
(linda e louca)
experiência: vida.
vamos morrer.
e o que fazer pra não torná-la apenas passagem?
mergulhar nas letras?
nos livros?
se afogar em teorias?
se jogar em todo e qualquer...
todo o qualquer?
se entregar a quem...
a quem?! ao que?!
o que fazer, pergunto.
a ela ecoa.
oa, oa, oa.
a resposta pode ser viver,
mas é tão amplo,
vazio se torna.
e no vazio ecoa.
oa. oa. oa.

23/06/2013

laranja elástica, vai pra lá, vem pra cá,
doce, azeda,
em pés, em mãos,
sempre no mesmo lugar.
e toda essa mobilização lá fora,
alcança essa manifestação aqui dentro,
vou à rua.
pra que?
(pra que - mais que por que?)
seja pelo que for, vamos,
.
.
.
.
.
.
sem esquecer, não consigo terminar.

26/05/2013

bom dia, domingo.

essa paixão pela vida está me invadindo de forma avassaladora. coragem sempre foi minha companheira, e continuamos, ainda que com meu medinho escondido num fundo esquecido(?) da alma. escondido nada, mocinha! ali, bem exposto. tão exposto quanto o céu.
o céu está azul, com alguns desenhos de nuvens brancas, leves. o ouvido entupido desde o voo pra dentro de mim. talvez seja isso, meu corpo querendo me isolar do resto do mundo. faz sentido. é o momento de olhar pra dentro.
o sangue escorre, as lágrimas idem. o mar rebate, aberto e preso entre as veias por onde o fluxo deveria ser sanguíneo. ambiguidades que perseguem e inconstâncias permanentes. e a vida, continua me agarrando e me querendo, e eu a quero de volta, sempre, com toda intensidade, com toda alegria e sofrimento de se optar por jogar-se-me ao  encontro, atravessá-la, agarra-la sem deixar que me escape.
bom dia, domingo.